domingo, 14 de agosto de 2016

Primeiros socorros podem salvar vidas

    Os primeiros socorros são tema de algumas unidades escolares em diversos lugares no Brasil, mas não a ponto de atingir todas as crianças e adolescentes de maneira eficaz como outras matérias da grade curricular de ensino. 

    Muito conhecimento prático perde-se em meio a dezenas de outras, na absorção de conhecimento, o que pode resultar em aborrecimentos e até mesmo acidentes graves no cotidiano, pois a pessoa não sabe a forma correta de proceder quando se vê diante de uma pessoa ferida ou passando mal.
 
    Questões de cortes, queimaduras, parada cardíaca e fraturas decorrentes de acidentes domésticos ou fora de casa, ou em qualquer local que seja, dependem de ações rápidas e eficazes que podem salvar uma vida.
 
       O especialista em segurança Cláudio Roberto Pereira, 40 anos, com vários anos de experiência na área de segurança industrial, resgate, emergência e enfermagem, levanta o questionamento e mostra algumas dicas e orientações para a pessoa agir corretamente nessas situações.
 
    A principal é que a grande maioria da população desconhece, por exemplo, o uso correto do telefone de emergência 193, número padrão em todo o Brasil para pedir socorro. A ligação é gratuita, e oferece também o serviço de atendimento e socorro médico do Corpo de Bombeiros e do Samu 192.
 
    "Se for algo relacionado ao quadro clínico, como um desmaio ou doença, o Samu é que atende. Se for algo traumático, como acidentes que provocam fraturas, choques, corte e queimaduras, é o bombeiro quem atende”, explica o profissional. 
 
    “Os bombeiros não atuam com técnicas invasivas, eles fazem imobilização das vítimas, resgatam pessoas de incêndio com manta térmica. Já o Samu pode fazer infusão de soro, atuando no lado mais clínico”, comenta Pereira, que regularmente presta assessoria de segurança para empresas com sua firma Sete QS.
 
    “É uma pena. As instruções médicas e protocolos de atendimento estão ao alcance de poucas pessoas. Peço que quem sabe tudo isso replique o conhecimento. Já estive presente em situações de acidentes e pessoas passando mal e ninguém na hora sabia como fazer as coisas mais simples. Temos de saber como dar suporte até a chegada do socorro médico, isso pode salvar uma vida”, analisa Pereira. “Nos Estados Unidos as aulas de primeiros socorros é matéria obrigatória na escola. Muitas pessoas conseguem manter a calma quando ligam para a emergência”, disse.
 
    “Busque o conhecimento do tema, não espere o movimento desses eventos infelizes acontecer. O Corpo de Bombeiros promove alguns eventos periódicos a respeito dos primeiros socorros e têm o maior prazer em ensinar e replicar os ensinamentos”, afirma o especialista em segurança. O major Falco, do Corpo de Bombeiros de Sorocaba, já informou em diversas reportagens que a corporação da cidade recebe os visitantes interessados no assunto.
 
 
Acidentes com trauma e cortes
 
    Nas situações de acidente de trânsito, a chamada cinemática do trauma explica como os atendentes do 193 designam quem enviar, bombeiros ou Samu. “Por isso a quantidade de detalhes é realmente muito importante. Apesar de difícil, deve-se manter a calma. 

    São nessas horas que se deve passar o maior número de informações possíveis para o outro lado da linha. Detalhes como a condição da pessoa no momento, a visualização de traumas evidentes, os danos no local, objetos que causaram o evento, tudo isso conta muito para a atendente”, explica Pereira.
 
    O problema de um corte profundo no corpo é a hemorragia. “A primeira coisa a se fazer é tentar conseguir um pano limpo e seco, e fazer a primeira compressa com ela. Depois se deve arrumar outro pano e colocar por cima do primeiro pano. É importante não os tirar. A artéria que leva o sangue ao local cortado deve ser localizada se possível, e outro pano deve ser comprimido nesse local para diminuir o fluxo do sangue”, ensina o especialista em segurança.
 
    Já com queimaduras, água corrente deve ser obtida para lavar o local afetado. Em nenhuma hipótese se deve pôr panos molhados por cima das queimaduras, pois no hospital ela é retirada de qualquer maneira na raspagem. “Geralmente em situações com queimados são enviados Bombeiros e Samu, dada a gravidade que são esses tipos de ferimentos.”
 
    Em paradas cardíacas, se notar que a pessoa já está sem pulsação, a ressuscitação cardiopulmonar deve ser feita. A orientação hoje em dia são 100 compressões por minuto. Os dedos das duas mãos devem se cruzar, e pressionar o centro do tórax da vítima, entre os mamilos, com ela deitada em uma superfície rígida. 

    Manter os braços esticados e usando o peso dos ombros, as palmas das mãos devem pressionar a parede toráxica. A manobra não deve ser interrompida até a chegada do socorro médico, e uma pausa maior que 10 segundos pode ser fatal.

    Reproduzida do Diário de Sorocaba

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